O gênero textual argumentativo é empregado com a finalidade de expor um assunto ou tema utilizando um raciocínio crítico e é caracterizado pela defesa de um determinado ponto de vista. A estrutura é composta por três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. Porém, destoando da simplicidade de conceituação, esse tipo de texto verdadeiramente exige dedicação dos educandos que devem ater-se às normas gramaticais correntes, à estrutura particular na montagem dos parágrafos e à inserção de dados estatísticos, alusões históricas e citações que confirmem os argumentos e enriqueçam a produção.

Nesta etapa, os educandos da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Unidade Educacional do SAGRADO - Rede de Educação localizada na cidade de Garibaldi/RS já demonstram total domínio da técnica dissertativa aplicada às questões sociais abordadas nos concursos vestibulares e estabelecem relações assertivas com os conteúdos desenvolvidos em Sala de Aula pelos diferentes componentes curriculares. Neste contexto, desenvolveu-se a temática do preconceito linguístico.

Educadora Fabiana Fellini

 

Amarras morfológicas

É inegável que as linguagens são um atavismo, tendo em vista que a comunicação sempre esteve presente na história da humanidade. Porém, considerando a ideologia machadiana de que a herança é uma ironia, a fala é herdada, mas habituada ao ambiente em que será expressa. Dessa forma, é de suma relevância entender se o correto ou o errôneo perduram regendo os dialetos que se assomam.

Após a Semana de Arte Moderna de 1922, a linguagem popular adentrou no mundo artístico com a valorização do coloquialismo, independente de regras gramaticais. Hodiernamente, as duas ramificações da língua – fala e escrita – mantêm-se livre das amarras estipuladas pela morfologia, devido às diversas variações linguísticas. Os contextos histórico, geográfico, cultural e socioeconômico, alforriam o idioma de correções quando dentro de suas dissemelhanças, propiciando liberdade de fala aos indivíduos.

Contudo, a autonomia da fala provoca um acinte entre os dialetos. A insipiência de um sujeito o faz depredar ou corrigir as variações de um vocabulário que não seja o seu, resultando em preconceito linguístico. Pessoas de diferentes níveis de escolaridade – ligadas à situação econômica –, por exemplo, têm diferentes discernimentos, por isso, é inválido o estudante que teve acesso a um ensino de qualidade revisar aquele que não pode terminar o ensino médio. Segundo Marcos Bagno, as decorrências são exclusão social, deboche, violência (física, verbal e psicológica), além de problemas de sociabilidade.

Destarte, faz-se necessário ampliar o conhecimento da população, para reduzir os casos de intolerância. Estabelecendo relação com a premissa do filósofo Immanuel Kant de que o indivíduo é o que a educação faz dele, é preciso incluir as variações linguísticas no ensino dos jovens. Além disso, a mídia deve promover palestras e campanhas conscientizando os cidadãos de que a fala é livre, formando pessoas que saibam respeitar as multiplicidades.

Educanda Laura Nicaretta Montemaggiore